As modalidades de tratamento
De modo geral, os programas existentes incluem tipos diferentes de tratamento que variam de acordo com a intensidade de auxílio que o paciente necessita. Os regimes de tratamento são, basicamente:
(1) tratamento hospitalar em regime de internação, seguido de acompanhamento ambulatorial;
(2) tratamento ambulatorial/hospital-dia;
(3) tratamento em comunidades terapêuticas.
A determinação do tipo de tratamento mais apropriado deve ser feita mediante avaliação individualizada de cada adolescente, permitindo-lhe mobilidade nas etapas do tratamento de acordo com a sua evolução e resposta ao tratamento inicialmente oferecido.
Idealmente, os programas devem ser multidisciplinares, para que possam oferecer uma abordagem biopsicossocial e também envolver a família no processo, pois o uso de drogas é um fenômeno complexo que abrange várias esferas da vida das pessoas. A equipe deve incluir pediatra ou clínico geral, psiquiatra infantil, psicólogo, enfermeira, terapeuta ocupacional, pedagoga e assistente social.
As diferentes abordagens a serem empregadas são a psicoterapia individual (especialmente naqueles com outros problemas psiquiátricos associados) e/ou em grupo, orientação e terapia familiar. O acompanhamento escolar e orientação vocacional também são importantes, especialmente vislumbrando o retorno do jovem às atividades e o desenvolvimento de outras habilidades não desenvolvidas até o momento.
As comunidades terapêuticas são recurso importante para quadros de dependência de longa duração, com comportamentos anti-sociais, problemas familiares e sociais, nos quais não existam quadros psiquiátricos associados.
As diferentes abordagens terapêuticas não são excludentes e, muitas vezes, é necessária a associação de várias delas. Alguns recursos comunitários podem ser aproveitados como os serviços de orientação por telefone, serviços de aconselhamento, grupos de mútua ajuda (AA/NA), centros de informação, serviços educacionais e vocacionais e centros comunitários de saúde mental.
Independente do regime terapêutico a ser empregado, a participação da família é essencial, especialmente no tratamento de adolescentes.
* Rogerio Shigueo Morihisa é Médico com especialização em Psiquiatria da Infância e Adolescência pela Universidade de São Paulo. Atualmente é Coordenador Geral de Tratamento da Secretaria Nacional Antidrogas - Senad.
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